Inca: exercício físico não anula danos do cigarro no corpo
Instituto Nacional de Câncer alerta que treino regular não protege fumantes dos efeitos da nicotina sobre coração, pulmões e músculos
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) promoveu na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, um evento on-line em referência ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. A campanha deste ano leva o tema "Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar" e busca desfazer a ideia de que a prática de exercícios reduziria os riscos causados pelo consumo de tabaco e nicotina.
Segundo o instituto, a informação central da campanha é simples: os efeitos do exercício e os efeitos do cigarro sobre o corpo vão em direções opostas, e um não anula o outro. Enquanto a atividade física fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, o consumo de tabaco prejudica exatamente essas mesmas estruturas.
O que a campanha do Inca quer alertar
A psicóloga Vera Borges, especialista em tratamento do tabagismo do Inca, afirma que o foco da campanha é atingir um grupo específico: pessoas que fumam cigarros comuns ou vapes e acreditam que a rotina de treinos as protege dos danos causados pela substância. Para ela, essa é uma crença sem respaldo.
"Esse tema guarda a necessidade de alertar os fumantes de cigarros e de vapes que fazem atividade física e que acreditam que o exercício reduz o risco de adoecimento. Quaisquer das formas desse produto vai trazer prejuízo à saúde", disse Vera Borges ao Inca.
De acordo com a especialista, os ganhos obtidos com a prática regular de exercícios físicos são anulados pelos efeitos do tabagismo. Em suas palavras, resumidas em outra declaração ao Inca: "treinar e fumar é incompatível, quando a gente pensa no cuidado à saúde".
Como o cigarro interfere no desempenho físico
O Inca descreve quatro mecanismos pelos quais o tabaco e a nicotina comprometem o corpo durante o esforço físico. O primeiro é a vasoconstrição: a nicotina contrai os vasos sanguíneos, o que reduz o volume de sangue disponível para músculos e órgãos durante o treino.
O segundo mecanismo é a redução da capacidade do sangue de transportar oxigênio, o que priva os músculos desse elemento justamente no momento em que mais precisam dele, durante o esforço. O terceiro é o dano direto aos pulmões: a inflamação das vias aéreas provocada pelo fumo reduz a função respiratória e torna a respiração mais difícil durante o exercício.
Por fim, a combinação desses fatores gera uma sobrecarga energética: o organismo de quem fuma precisa de mais esforço para realizar atividades que exigiriam bem menos energia de uma pessoa não fumante. Segundo a especialista do Inca, isso se traduz em sintomas práticos observados entre fumantes que treinam.
"Fumantes têm menor resistência física, fadiga precoce, recuperação mais lenta após os treinos e maior risco de lesões ou complicações cardiovasculares durante atividades intensas", afirmou Vera Borges, segundo o Inca.
Vapes e sachês de nicotina entre jovens
A campanha também dedica atenção ao público adolescente e jovem, grupo em que a experimentação de cigarros eletrônicos, os chamados vapes, tem crescido. Segundo o Inca, esse público costuma acreditar que os dispositivos eletrônicos causam menos dano ao condicionamento físico do que o cigarro tradicional, o que a instituição classifica como uma percepção equivocada.
A especialista chama atenção ainda para um fenômeno recente: a promoção de sachês de nicotina em redes sociais por influenciadores e atletas, apresentados como estimulantes naturais de bem-estar. O Inca não detalha, nas informações disponíveis, dados de consumo desses produtos no Brasil, mas alerta que a lógica de dano é a mesma observada em cigarros e vapes: comprometimento das funções cardiovascular, respiratória e muscular.
Exercício como parte do processo de parar de fumar
Apesar do alerta sobre a incompatibilidade entre treino e fumo, o Inca destaca um ponto positivo: a atividade física pode ajudar quem está tentando abandonar o cigarro. Segundo o instituto, o exercício regular contribui para reduzir a vontade de fumar e amenizar sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade.
Essa informação não significa que o exercício substitua acompanhamento especializado para cessação do tabagismo, algo que as fontes consultadas não detalham em termos de protocolo ou indicação clínica. O papel do Inca nessa frente, segundo o próprio instituto, é de prevenção do tabagismo, incentivo a comportamentos saudáveis e proteção de ambientes livres de produtos com nicotina.
O que fica desse alerta e o que ainda falta esclarecer
A mensagem central divulgada pelo Inca é objetiva: não existe compensação entre exercício e cigarro. Uma pessoa fisicamente ativa que fuma não está isenta dos riscos cardiovasculares, respiratórios e musculares associados ao tabaco, e os prejuízos tendem a aparecer mesmo em quem treina com regularidade.
As fontes consultadas não trazem números específicos sobre a magnitude da perda de desempenho em fumantes ativos, nem estudos citados com dados quantitativos sobre o tema no Brasil. As informações refletem a posição institucional do Inca e a fala da especialista durante o evento, sem indicação de pesquisa própria divulgada nessa ocasião. Quem pratica exercícios e ainda fuma, ou considera o vape uma alternativa mais segura, deve saber que essa é justamente a crença que a campanha busca desconstruir, não uma conclusão respaldada pelas evidências apresentadas pelo próprio instituto.
Fontes consultadas
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