O dólar fechou em queda de 0,87% nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, cotado a R$ 5,1761, segundo dados do G1. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,90%, aos 167.830 pontos, interrompendo uma sequência de 11 quedas consecutivas, conforme apurou o Money Times em cobertura em tempo real do mercado.

O movimento de alívio no câmbio e na bolsa brasileira aconteceu em meio a um conjunto de fatores externos. Segundo o Money Times, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai ao menos dobrar as recompras de dívida governamental de longo prazo, o que ajudou a reduzir os rendimentos dos títulos públicos americanos, os Treasuries, e favoreceu a busca por ativos de maior risco em mercados emergentes como o Brasil.

O que motivou a queda do dólar e a alta da bolsa

De acordo com a ISTOÉ Dinheiro, a recuperação do Ibovespa também foi impulsionada pela valorização das ações da Petrobras e da Vale, sustentada pelo desempenho positivo do petróleo e do minério de ferro nos mercados internacionais. O barril do tipo Brent, referência internacional, teve alta de 0,48%, para US$ 91,46, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 0,80%, a US$ 85,62, conforme o G1.

A alta do petróleo está relacionada à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O jornal britânico Financial Times, citado pelo G1, informou que o país iraniano avalia atacar alvos militares americanos na Europa caso o conflito avance, o que reforça temores sobre uma eventual restrição à navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo.

No campo interno, a ISTOÉ Dinheiro observa que a postura firme do Banco Central brasileiro em manter a Selic em nível elevado para conter a inflação também contribuiu para atrair capital estrangeiro por meio de operações de arbitragem cambial, prática na qual investidores buscam recursos mais baratos no exterior para aplicar no mercado brasileiro.

Ata do Fed traz sinal de cautela com a inflação americana

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira, mostrou maior preocupação de parte dos dirigentes com a inflação americana. Segundo o G1, vários integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) disseram estar dispostos a elevar os juros caso os preços não recuem para a meta de 2%.

O Money Times detalhou que três dirigentes votaram por um aumento imediato de 0,25 ponto percentual na taxa básica: Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari. Os demais membros do colegiado optaram por manter a faixa entre 3,50% e 3,75%. Para James Knightley, economista-chefe internacional do banco ING, em declaração reproduzida pelo Money Times, o tom do documento era esperado, mas não altera a perspectiva de manutenção dos juros no curto prazo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a postura do Fed nesta quarta-feira. “É ridículo que permaneçam no nível atual”, disse Trump a repórteres, segundo registro do Money Times, ao defender que o banco central deveria cortar juros diante do que chamou de sucesso da economia americana.

Analistas veem alívio pontual, não mudança de tendência

Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, em declaração ao G1, a alta da bolsa nesta quarta-feira foi puxada principalmente por fatores externos. “O que aconteceu hoje foi um alívio externo e temporário, mas nada de uma solução doméstica”, afirmou o especialista.

Já Antônio Morais, sócio da Vault Capital, também em fala ao G1, avalia que a sequência de 11 quedas seguidas do Ibovespa resultou de uma combinação de fatores internos e de movimentos técnicos de mercado. “Essa queda tem dois vetores, que acabam se somando: um de fundamento e outro técnico”, disse Morais, citando as preocupações com as contas públicas, o aumento nos pedidos de recuperação judicial e as incertezas eleitorais como pano de fundo do movimento.

Morais também destacou a saída de recursos estrangeiros como fator que ajudou a acelerar as perdas anteriores da bolsa, já que a venda de ações por investidores de fora do país costuma levar outros agentes a reduzir exposição a risco, ampliando as oscilações.

O que muda para quem lida com o dólar no dia a dia

A queda da cotação abre uma janela de oportunidade para quem precisa comprar moeda estrangeira, seja para viagens, pagamentos internacionais ou compras em plataformas de fora do país. A ISTOÉ Dinheiro recomenda que quem depende do dólar aproveite momentos como este para fazer compras fracionadas, evitando concentrar toda a aquisição em um único patamar de preço.

A publicação também sugere atenção a duas frentes na organização financeira pessoal: a diversificação de investimentos por meio de ativos internacionais, como BDRs ou fundos que replicam mercados de fora, e a manutenção de recursos em títulos atrelados ao CDI ou ao IPCA, que tendem a se manter atrativos enquanto a taxa Selic permanecer em nível elevado.

No acumulado da semana até esta quarta-feira, o dólar recuou 0,83%, enquanto o Ibovespa avançou 0,54%, segundo os números levantados pelo G1. No ano, a moeda americana acumula queda de 5,70% frente ao real, e a bolsa brasileira sobe 4,16%. Analistas consultados pelas fontes desta reportagem ponderam que as preocupações com as contas públicas e com o calendário eleitoral de 2026 devem continuar influenciando o comportamento do mercado nas próximas semanas.

Fontes

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Tribuna Editorial

Redação digital com sede em Aveiro.

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