A série Euphoria retornou ao ar neste domingo, 12 de abril de 2026, sendo descrita como descaracterizada e mais vulgar do que em temporadas anteriores.

A produção, que aborda as agruras da adolescência, agora assume um tom de faroeste, tecendo observações consideradas rasas sobre narcotráfico, prostituição e o sonho americano.

Euphoria é uma das séries mais influentes dos últimos sete anos, mas também é conhecida por sua produção turbulenta. Em sete anos, conseguiu lançar apenas 18 episódios.

A série foi responsável por levar vários de seus atores ao estrelato mundial, venceu nove estatuetas do Emmy e inspirou milhões de adolescentes. No entanto, difere do padrão de sucesso da HBO, canal acostumado a produções longevas.

O primeiro episódio da nova temporada é marcado por perdas no elenco e na equipe, uma direção descaracterizada e reviravoltas consideradas bagunçadas e apelativas.

A trama se passa cinco anos após os eventos do final da temporada anterior, exibida em fevereiro de 2022. A personagem Rue, interpretada por Zendaya, começa a vida adulta ainda lidando com o vício.

Ela se tornou uma mula de drogas entre Estados Unidos e México para pagar uma dívida antiga, vivendo atravessando paisagens desérticas. Assim, a nova temporada abandona a história de amadurecimento para se tornar um faroeste sobre como ganhar dinheiro nos Estados Unidos.

Enquanto Rue navega pelo universo do narcotráfico, a personagem Cassie, vivida por Sydney Sweeney, planeja iniciar uma carreira na plataforma OnlyFans. A decisão vem de um desejo por atenção e por uma vida luxuosa em seu casamento com Nate.

Nate, interpretado por Jacob Elordi, tenta conter os desejos da noiva com pouco sucesso, enquanto assume os negócios imobiliários do pai. Outras personagens seguem caminhos mais tradicionais.

Lexi, papel de Maude Apatow, tenta brilhar como assistente de direção em Hollywood, sob o comando de uma figura poderosa interpretada por Sharon Stone. Maddy, vivida por Alexa Demie, trabalha com relações públicas.

A personagem Jules, interpretada por Hunter Schafer, espera o ponto de virada de sua carreira artística. Para se sustentar, ela atende aos desejos de um homem mais velho e é fartamente recompensada.

Os elementos centrais da trama continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo. Na primeira temporada, a personagem Kat, vivida por Barbie Ferreira, já se exibia via webcam e Rue tinha conflitos com traficantes.

Os episódios anteriores, porém, eram permeados por uma certa magia, presente nos visuais, nas circunstâncias exageradas ou em planos sequência espetaculares. O subúrbio fictício era um universo em si mesmo para os jovens personagens.

Cinco anos depois, os personagens não ocupam mais esse mesmo universo. O escopo da série parece difuso e sua continuidade dá a impressão de ser por obrigação, não uma decisão criativa.

Onde antes havia encantamento, agora prevalece uma vulgaridade considerada pouco surpreendente. Cenas de nudez, escatologia e violência têm pouco estofo emocional e não provocam o impacto desejado.

As personagens carecem da humanidade presente em episódios considerados altos da série, como o episódio especial pandêmico focado em uma sessão de terapia de Jules.

O que resta na nova temporada são figuras como gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, ligadas por ponderações rasas sobre fé e capitalismo. A essência mudou.

A nova fase de Euphoria mantém o título, mas a sensação é a de se assistir a uma missão mal elaborada de um jogo como Grand Theft Auto, distante do original que cativou o público. A série exibida não é mais a mesma.

Share.
Beatriz Oliveira

Beatriz é professora de ensino médio no interior de São Paulo, com mais de 10 anos de experiência. Apaixonada por métodos de limpeza ecológicos, criou o blog LavadoraEficiente.com para compartilhar dicas sobre práticas de limpeza, economia de água e eficiência energética. Com um estilo formal, mas acessível, Beatriz busca educar e engajar seus leitores.