A história da cerveja está diretamente ligada à história do trabalho. Muito antes de se tornar símbolo de descanso após o expediente, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Desde tavernas medievais até os pubs da Revolução Industrial, a cerveja serviu como elo entre trabalhadores ao longo dos séculos. Para celebrar o 1º de maio, o Guia da Cerveja selecionou cinco fatos históricos que mostram a relação da bebida com o trabalhador.
O primeiro fato remonta à Antiguidade, quando a cerveja era usada como parte do pagamento da mão de obra. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do acervo do Museu Britânico, registra as rações de cerveja distribuídas a operários na cidade de Uruk, na Mesopotâmia. No Egito Antigo, a prática também era comum, e há registros de que as pirâmides foram construídas com apoio da bebida, que garantia hidratação e nutrição.
O segundo fato trata da Saison, cerveja produzida em fazendas na Bélgica. Os fazendeiros fabricavam a Saison durante o outono e inverno para vender aos trabalhadores temporários que chegavam para a plantação no verão e colheita na primavera. Segundo o mestre cervejeiro Phil Markowski, a Saison era uma “cerveja de provisão”, que refrescava os trabalhadores no verão e ocupava a mão de obra fixa no inverno. Um exemplo moderno é a Saison Dupont, que voltou a ser importada para o Brasil em 2026.
O terceiro fato é sobre a Grisette, cerveja leve e refrescante apreciada por mineradores no Sul da Bélgica, região industrializada entre o final do século 18 e começo do 19. A bebida ajudava os mineiros a recuperar energias após o trabalho nas minas de carvão. O nome “Grisette” significa “a pequena cinzenta” e pode fazer referência à aparência turva da cerveja ou à condição dos trabalhadores cobertos de cinzas.
O quarto fato é a Porter, cerveja que recebeu o nome dos estivadores do porto de Londres no século 18. Ela se tornou símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento para os operários das cidades. O jornalista Martin Cornell a chamou de primeira cerveja “rockstar” do mundo. Acredita-se que a Porter surgiu como mistura de cervejas com diferentes teores nos pubs. Uma versão próxima da original é a Fuller’s London Porter.
O quinto fato envolve as Bitters e as German Lagers, associadas ao movimento trabalhista. Na Inglaterra do século 19, os trabalhadores se reuniam em pubs para reivindicar melhores condições, consumindo Bitters, como a Fuller’s London Pride. Nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve em Chicago exigindo jornada de oito horas. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket. A cerveja consumida na época era a German Pils, como a Frohenfeld German Pils, de Curitiba.
No Brasil, o Dia do Trabalho começou a ser celebrado no início do século 20, mas só se tornou feriado com decreto do presidente Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que instituiu salário mínimo e férias. A data passou a ser chamada de Dia do Trabalho.
