O ator Bruno Gagliasso, de 44 anos, precisou se afastar de casa durante as gravações do filme “Por um fio”, baseado no livro homônimo de Drauzio Varella e com estreia prevista para outubro. Na trama, ele interpreta o irmão do médico, que morre de câncer. Para o papel, o ator perdeu 24 quilos e viveu um estado intenso de tristeza, o que, segundo ele, tornou a experiência difícil para a família.
Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO, Bruno afirmou que levou o personagem para casa. “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, disse. O ator contou que a preparação para o filme mexeu com sua percepção sobre a vida e a morte, e que a partir de agora pretende escolher apenas papéis que o emocionem ou transformem as pessoas.
Bruno também comentou sobre sua dificuldade em separar o trabalho da vida pessoal. “Admiro grandes atores que conseguem separar. Tony Ramos, por exemplo… Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho. Preciso ficar pensando nele 24 horas”, afirmou. O ator revelou que, para imprimir verdade nos personagens, busca “existir e não atuar”, e que os preparadores de elenco o ajudam nesse processo.
Além de “Por um fio”, Bruno tem uma série de projetos inéditos. Ele interpreta um líder estudantil no longa “Honestino”, um escravocrata moderno em “Corrida dos bichos”, uma versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI”, um perigoso dono de construtora na série “Rauls” e um playboy traficante na sétima temporada de “Impuros”. As produções devem estrear entre 2026 e 2027 em diferentes plataformas de streaming e nos cinemas.
O ator falou ainda sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicada à filha Titi. O filme tem 80% do elenco e 90% da equipe preta e conta a história de uma família preta de classe média. “É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro…”, explicou Bruno, que convidou o jogador Vini Jr. para ser produtor associado do projeto.
Questionado sobre a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político, Bruno disse: “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje”.
O ator também comentou sobre sua estatura de 1,70m e o uso de salto no passado. “Cansei de usar salto. Pra personagem, então… Essas questões são fortes quando se é mais novo, está se descobrindo e ainda acha que precisa ter altura para fazer um galã de novela”, afirmou. Bruno disse que a vaidade profissional sempre será maior que a vaidade estética.
Sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Bruno revelou que foi expulso de três escolas e que toma remédio desde sempre. “Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. O que adianta falar uma palavra sem alma?”, disse. O ator contou que já esqueceu que estava de carro ao ir filmar no Projac e voltou com o motorista.
